Hino da Manhã Tu, casta e alegre luz da madrugada, Sobe, cresce no céo, pura e vibrante, E enche de força o coração triumphante Dos que ainda esperam, luz immaculada! Mas a mim pões-me tu tristeza immensa No desolado coração. Mais quero A noite negra, irmã do desespero, A noite solitaria, immovel, densa, O vacuo mudo, onde astro não palpita, Nem ave canta, nem susurra o vento, E adormece o proprio pensamento, Do que a luz matinal... a luz bemdita! Porque a noite é a imagem do Não-Ser, Imagem do repouso inalteravel E do esquecimento inviolavel, Que anceia o mundo, farto de soffrer... Porque nas trevas sonda, fixo e absorto, O nada universal o pensamento, E despreza o viver e o seu tormento. E olvida, como quem está já morto... E, interrogando intrepido o Destino, Como reu o renega e o condemna, E virando-se, fita em paz serena O vacuo augusto, placido ...