Poesia sim...

PraiaMinha praia ardorosa e solitária 
aberta ao grande vento e ao largo mar 
tu me viste querer-lhe com a doce 
piedade das sombras do luar 

teus cabos se adiantam como braços 
para abraçar as ninfas receosas 
que fugindo oferecem sobre as vagas 
suas nítidas formas amorosas 

braços paralisados por desejo 
que o mundo e sua lei não permitiu 
ou suspendeu amor que livre jogo 
maior que posse em fugaz tempo viu 

e como vós me alongo e como tu 
areia me ofereço a toda sorte 
por sua liberdade ou por destino 
que por só dela seja belo e forte. 

Agostinho da Silva, in 'Poemas'

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