Poesia sim...

MontanhaSons sob a luz. Mosteiros, 
torres sobrenaturais, 
vibrando fluidamente no ar; 
como? se o fluxo de mica, 
os altos blocos de água, 
cintilam sem rumor. 

Toda esta arquitectura, 
lenta percussão, perpassa; 
sobre cerros sonoros; 
com o seu contorno 
infixo, fulgurando. Detenham-se 
as estrelas quando 
for noite; preguem-se 
outros pregos de prata 
fora do céu visível. 
Sons já sem luz. Pastores 
poisam as ocarinas, bebem; 
entre colinas ocas; 
o frio coalhado 
pelas tetas das cabras. 

Carlos de Oliveira, in 'Pastoral'

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