Poesia sim...

Olhos Suaves, que em Suaves DiasOlhos suaves, que em suaves dias 
Vi nos meus tantas vezes empregados; 
Vista, que sobra esta alma despedias 
Deleitosos farpões, no céu forjados: 

Santuários de amor, luzes sombrias, 
Olhos, olhos da cor de meus cuidados, 
Que podeis inflamar as pedras frias, 
Animar cadáveres mirrados: 

Troquei-vos pelos ventos, pelos mares, 
Cuja verde arrogância as nuvens toca, 
Cuja hrrísona voz perturba os ares: 

Troquei-vos pelo mal, que me sufoca; 
Troquei-vos pelos ais, pelos pesares: 
Oh câmbio triste! oh deplorável troca! 

Bocage, in 'Rimas'

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