Doação do espólio do escritor Almeida Faria à BNP



O escritor Almeida Faria iniciou o processo de doação do seu Espólio à Biblioteca Nacional de Portugal com a entrega simbólica dos manuscritos Rumor Branco, editado em 1962, quando contava apenas 19 anos, e A Paixão (1965). A assinatura do respectivo Termo de Doação teve lugar a 25 de Agosto.

Entre 1965 e 1983 Benigno Almeida Faria escreveu o ciclo “Triologia Lusitana”, iniciado com A Paixão, a que se seguiu Cortes e Lusitânia, encerrado com Cavaleiro Andante, que, segundo Maria Alzira Seixo, termina “um ciclo de reflexão sobre a situação do homem português perante o seu contexto social e a incidência política que o determina”, o salazarismo e a revolução de 25 de Abril de 1974, e “sobre a sua capacidade (ou talvez melhor, incapacidade) de se definir na sua totalidade humana (pessoal, familiar erótica, ambiencial), em registos de comunicação que transcendem o puramente ficcional (lírico e epistolar), assim modulado numa estrutura que coloca em situação de relevo a personagem, agente ou paciente da História que aqui fundamentalmente se encontra em questão” (cf. Seixo, Maria Alzira – Portugal, A Terra e o Homem, II série. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1980, 427).

Os romances de Almeida Faria, ficcionista, ensaísta e professor de Estética na Universidade Nova de Lisboa, obtiveram vários prémios literários e têm sido objecto de trabalhos universitários.

Apraz à BNP registar o empenhamento, em ritmo crescente, dos escritores portugueses em entregar os seus espólios ainda em vida, de forma a que possam ser transmitidos aos actuais e vindouros leitores, nas melhores condições de investigação, e integrados num acervo contendo muitos outros espólios, onde se pode encontrar o testemunho de sucessivas gerações literárias.[bn.pt]

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