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Poesia sim...

Escrevo de mim para ti Escrevo o que é preciso, o que em faz bem, o que desembrulha, mergulhado em ternura, cada instante, perspicaz, delirante. O que atrai pensamentos únicos só meus, que quero teus, nossos, plenos! Que não escolho, caem na mente, displicente, com a busca da gente que correr, que dança, que com o olhar encanta. e feliz, em uníssono, grita ao mundo... a eternidade de quem alcança! Rosa Cândida http://escrevodemimparati.blogspot.pt/

Poesia sim...

Quadras da Minha Vida Os ecos nos meus sentidos  Dos meus afectos doentes  São mais longos, mais compridos  Do que rastos de serpentes.  Nasci profundo e pegado  A turbilhões de aflição:  Na cara trago estampado  O meu perfil de obsessão.  Não creio que possa amar  Nem neste mundo ter jeito  De me encostar a outro leito  Sem desatar a chorar.  Enterro os dias e os ais,  Sou uma pilheira de mortos,  Não tenho espaço pra mais!  Que se comam uns aos outros...  Mário Saa, in 'A Poesia da Presença'

Poesia sim...

A Festa do Silêncio Escuto na palavra a festa do silêncio. Tudo está no seu sítio. As aparências apagaram-se. As coisas vacilam tão próximas de si mesmas. Concentram-se, dilatam-se as ondas silenciosas. É o vazio ou o cimo? É um pomar de espuma. Uma criança brinca nas dunas, o tempo acaricia, o ar prolonga. A brancura é o caminho. Surpresa e não surpresa: a simples respiração. Relações, variações, nada mais. Nada se cria. Vamos e vimos. Algo inunda, incendeia, recomeça. Nada é inacessível no silêncio ou no poema. É aqui a abóbada transparente, o vento principia. No centro do dia há uma fonte de água clara. Se digo árvore a árvore em mim respira. Vivo na delícia nua da inocência aberta. António Ramos Rosa, in "Volante Verde"

Poesia sim...

É Natal, nasceu um bébé Não é só na chaminé Com o Pai Natal ao pé Nem pinheiro, nem estrelinhas Natal é uma adivinha Sabem o que é, Sabem o que é, É Natal nasceu um bébé Ontem, hoje e amanhã E tu nem sequer sabias Que não é só em Dezembro Natal é todos os dias

Poesia sim...

Natal (Goa) Vamos a Belém beijar o menino. Vamos a Belém beijar o menino. Filho de Maria, o Verbo Divino! Filho de Maria, o Verbo Divino! Vamos a Belém, vamos apressados. Vamos a Belém, vamos apressados. Luzes aparecem por esses 'scampados! Luzes aparecem por esses 'scampados! Vamos a Belém, vamos sem demora. Vamos a Belém, vamos sem demora. A ver o Menino que nasceu agora! A ver o Menino que nasceu agora!

Poesia sim

Natal (Trás-os-Montes) Bem pudera Deus nascer Em cama de pedraria; Mas p'ra dar exemplo ao mundo, Nasceu numa estrebaria. Ó meu Menino Jesus, Vestido de azul-celeste! Hei-de pedir à Senhora Para ser Ele o meu Mestre.

Poesia sim...

Lamento do Poeta Objectivo Anda-me o amor tomando a própria vida, como se, amando, eu existisse mais. E leva-me o Destino em voz traída, como se houvera encontros desiguais. A multidão me cerca, e, renascida, já dela terei fome de sinais. E, mal a noite se demora ardida, o medo e a solidão me esfriam tais as cinzas desse amor que sacrifico. Não é futura a só miséria. A queixa também não é: e apenas acontece no vácuo imenso que este amor me deixa, quando maior, quando de si mais rico, se dá de mundo em mundo, e lá me esquece. Jorge de Sena, in 'Post-Scriptum'